LIÇÃO
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O que é o Bitcoin

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Se você chegou até aqui, é muito provável que você já saiba que o Bitcoin existe. Mas, no meio de tantas informações, é bem fácil ficar confuso sobre o que realmente isso significa! Mas não se preocupe. Antes de começar o curso, vamos deixar alguns conceitos bem claros, assim você pode aprender ainda mais e de forma descomplicada.

Sempre que precisar ou quiser checar um termo, não deixe de visitar o Dicionário Cripto, o nosso glossário com os principais termos que você vai encontrar no mundo das criptomoedas. Ótimo aprendizado!

1. Origem do termo: bit quê?

Bitcoin é uma moeda 100% digital. Seu nome é a junção de bit - a unidade de informação dos computadores - e coin, que é moeda em inglês. Ela foi criada em 2008, e publicada na internet por um indivíduo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto. Mas ninguém sabe realmente quem ou quantas pessoas de fato criaram o Bitcoin. Não foi por falta de tentar: vários detetives, policiais e repórteres investigativos cruzaram o mundo à procura do criador da moeda, sem encontrar sequer um rastro. 

Quem manda no Bitcoin?

Todo mundo e ninguém ao mesmo tempo. Por ser uma moeda digital, o Bitcoin funciona de uma forma muito diferente das moedas tradicionais, como o Real ou o Dólar: não tem um Banco Central e não é administrada por ninguém, nem mesmo o misterioso Satoshi. Em vez disso, o Bitcoin é mantido por uma rede de computadores interligados (chamados de nós), que são remunerados em bitcoins por isso. Essa recompensa é ajustada de forma a sempre manter a rede interessante para essas pessoas, e assim o Bitcoin nunca para. São os chamados mineradores de Bitcoin.

Como vamos ver nas lições seguintes, é esse mecanismo descentralizado que garante a segurança das transações e torna o Bitcoin tão inovador. À medida que avançar, você vai conseguir ter uma visão mais clara sobre como essa descentralização funciona.

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Na imagem, Dorian Nakamoto. Em 2014, uma revista americana fez uma reportagem especulando que ele seria o verdadeiro Satoshi Nakamoto, fato que nunca foi provado. Até hoje, sua imagem ainda é muito associada ao criador do Bitcoin, mesmo que ele negue.


2. Projetos prévios ao Bitcoin

Longe vai o ano de 1992, quando a recém-criada internet animava a todos e gerava um clima de otimismo a respeito dos avanços que ela traria para o futuro da humanidade. Enquanto isso, um grupo de cientistas da computação de Santa Cruz, Califórnia, estava mais preocupado com as consequências que o novo invento poderia trazer para a nossa privacidade e liberdade individual: afinal, a internet poderia abrir a porta para que governos, bancos e outras instituições controlassem a nossa vida, se medidas de proteção de dados e privacidade não fossem tomadas.

Assim surgiu o que ficou conhecido como movimento Cypherpunk. O objetivo: criar mecanismos para garantir a privacidade na web por meio da programação, por acreditarem que aqueles que querem privacidade devem garanti-la por conta própria, em vez de esperar que governos, corporações e outras instituições grandes o façam. 

Nesse sentido, o sonho dos Cypherpunks era criar uma moeda digital que desse privacidade e anonimato às transações feitas pela internet. Afinal, quando você compra em uma loja online com o seu cartão de crédito ou faz uma TED para o seu amigo, tanto o governo quanto as instituições envolvidas sabem quanto você está enviando, para quem e, frequentemente, por que motivo. Ou seja, sem nenhuma privacidade.

A partir desse momento, várias tentativas de criar uma moeda digital surgiram. Todas fracassaram: as mais famosas, como o E-gold e o Digicash, chegaram aos grandes noticiários, apesar da vida curta.

Tudo mudou em 2008: naquele ano, um desconhecido sob o nome de Satoshi Nakamoto anuncia, na lista de emails dos Cypherpunks, a criação do Bitcoin: “um novo sistema de dinheiro eletrônico”.

Para saber mais, acesse o White Paper original do Bitcoin neste link, em português.

3. Problema do gasto duplo

Um dos aspectos mais importantes de qualquer moeda é garantir que ela não seja falsificável ou clonada, o conhecido problema do gasto duplo. Na antiguidade, esse problema comprometeu as primeiras moedas, que podiam ser facilmente falsificadas. Naquela época, só havia uma solução: a centralização desse meio de pagamento em um terceiro de confiança. Foram assim que surgiram as primeiras casas de moeda, responsáveis por cunhá-las, quase sempre em nome de um rei, e seguindo um padrão específico de pesos e medidas para garantir que não seriam falsificadas. 

O problema do gasto duplo foi tão difícil de ser superado que mesmo com os inúmeros avanços da computação ao longo do século XX, todos os meios de pagamento continuaram dependendo da centralização para funcionar: as empresas de cartão de crédito processam os pagamentos feitos aos lojistas, os bancos validam as TEDs que fazemos; todas essas instituições reportam ao Banco Central do governo local, que se responsabiliza pela legitimidade dessas informações.

Mas se centralizar pode ser bastante prático, isso também significa dar informações demais para instituições muito grandes, o que – definitivamente – não era o objetivo dos cypherpunks.

A internet abriu a possibilidade de finalmente se criar uma moeda digital que fosse tanto confiável quanto anônima. Como disse o Nobel em Economia Milton Friedman em 1999, ao praticamente prever o Bitcoin:

“O que está faltando, mas que logo será desenvolvido, é um dinheiro eletrônico confiável. Um método pelo qual, comprando pela internet, você possa transferir fundos de A para B, sem que A conheça B ou B conheça A. Da mesma forma com que eu posso pegar uma nota de 20 dólares e passá-la para você e não há registro sobre de onde ela veio. E você pode receber [esses fundos] sem saber quem eu sou. Esse tipo de coisa vai se desenvolver na internet.”
Milton Friedman - Nobel de Economia | Fonte: Adam Smith Institute

Foi nesse contexto que surgiram as discussões sobre como deveria ser uma moeda digital descentralizada e de código aberto, e que serviram de espinha dorsal para o surgimento do Bitcoin. Tentativas não faltaram, mas o ponto fraco ainda era o problema do gasto duplo.

Uma moeda digital é um arquivo, que pode ser copiado infinitamente e até mesmo adulterado! Como impedir um ataque em uma rede descentralizada? Você verá como o Bitcoin resolveu isso na próxima lição.

4. Linha do tempo

1983 - David Chaum concebe a ideia do Ecash, uma moeda eletrônica criptografada, em um paper anônimo

1992 - Lançamento do Manifesto Cypherpunk 

1995 - David Chaum lança o Digicash, com base na sua ideia do Ecash

1998 - Nick Szabo concebe a ideia do Bit Gold

2008 - Satoshi Nakamoto lança o Bitcoin

Para saber mais

Assista à palestra "O Futuro do Dinheiro", com Neha Narula. Ative no player as legendas disponíveis em português.

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